3 de março de 2013

Música eletrônica de onde vem a inspiração ?

 

Todo profissional de produção tenta incansavelmente obter qualidade e acima de tudo melhorias em suas faixas.
Aqueles que buscam reconhecimento sem estarem prontos, são leigos e incompetentes deixando-se levar pelo egoísmo e pela vaidade, nem mesmo esse texto eles conseguem ler, buscam atalhos e caminhos que levam a facilidade ao invés do estudo sério.

Todos nós estamos sujeitos a certos dias sem nenhuma inspiração, sem duvida parece que ela nos deixou, e porque ?

Será que existe algum tipo de exercício que possa trazer ela de volta ?
Será que somos capazes de entender de onde ela vem ?
A outra pergunta que anda junto é:
Será que conseguimos compreender e entender o sentido da arte ? De onde ela vem e para onde vai ?
Aquele sentimento que nos impulsiona a fazer uma faixa e da forma e vida a ela.

Pensando em todas essas perguntas para tentar solucionar recorri a Freud e a psicanalise, seria impossível falar do nosso inconsciente e não falar de Freud.

Freud dizia que para compreender a obra de arte era preciso conhecer a intenção do artista, porem a intenção não se pode traduzir em palavras. Claro que ele estava se referindo a pintura porque Freud escreveu pouca coisa sobre a música e admite a incapacidade de entender por onde a música surte efeito.

Falar de música e tentar estudar de onde vem o sentimento inspirador devemos lembrar da “paixão” e isso sem dúvida daria uma outra análise detalhada, mas Freud aparentemente se preocupa com o impacto “passional” que a obra de arte produz no espectador ou no ouvinte. Sem dúvida é aquele momento que ouvimos uma faixa e arrepia todo o braço, causando aquela sensação.

“luta em mim contra a emoção quando não consigo saber porque estou emocionado, nem o que me comove” disse Freud.

Toda vez que olhamos um sentimento envolvido na teia dos sentidos da arte nos deparamos com um fractal que vai entrando cada vez mais fundo no desconhecido.

Será possível falarmos de representação, na música eletrônica na mesma condição que na pintura ou na escultura ?

O criador da obra tenta passar uma mensagem talvez ele nem saiba disso ou talvez esteja encoberto pelo sentimento da busca pela perfeição e muitos outros sentidos. Nesse caso entramos no âmbito da comunicação e falar de comunicação o que se supõe é uma diferença entre interioridade e exterioridade apta a vincular uma mensagem.

Justamente essa mensagem vai se ligar em algumas questões internas do expectador ( ouvinte ) e trazer a tona sentimentos, lembranças e emoção.

Em um texto curioso de 1917 / 19 Frieda Teller escreve sobre o talento musical e compara a emoção musical com a alucinação.

“Compara a emoção musical a um processo regressivo quase alucinatório que assume forma e fantasia e lembranças. Modalidade singular da expressão do psiquismo recalcado – Descarregar tensões internas. Escapulir do âmbito do domínio racional”

Quando Frieda diz: “Regressivo quase que alucinatório”, provavelmente se refere a questões infantis e provavelmente questões do nosso amago emocional, a paixão é uma espécie de alucinação temporária desencadeado uma serie de reações químicas no nosso cérebro. Tanto que logo depois ela diz: “assume forma de fantasia e lembrança”.

E se referindo ao “psiquismo recalcado” devemos ter muito cuidado com a palavra “recalque” que na verdade é um termo técnico usado por Freud que designa o mecanismo através do qual o indivíduo tenta eliminar do seu consciente representações que considera inaceitáveis. É justamente por isso Frieda no final do texto diz: “Descarregar tensões internas” Interessante como alguns produtores com vários problemas familiares buscam o reconhecimento na música de forma saudável e outros buscam a qualquer custo mesmo sem estarem prontos. Todos querem de certa forma se expressar.

A expressão na música tem o poder do duplo sentido que se manifesta na esfera do sentimento e com certeza tem o fundo primitivo de onde os sentimentos vem, exatamente nesse lugar onde nasce os sentimentos a música vem com a expressão que palavras seriam impossível de dizer.

Espero ter levantado muitas questões em vocês, espero de coração não ter respondido a pergunta que falta para entender o mecanismo da composição e espero mais ainda que você fiquem com muitas dúvidas.

As dúvidas nos fazem inteligentes, se você é bom o bastante para não aprender mais nada, tome muito cuidado com a estagnação.

Deixo você com um texto de extrema importância do Pierre Kaufmann:

“Pelo que escapa à representação, sempre pronta para aprisionar o material sonoro no universo do sentido, que podemos deixar o campo da psicologia para abordar o da psicanalise e com ele, os efeitos diruptivos da organização psíquica.”

Pesquisa:
Dicionário enciclopédico de psicanalise
O legado Freud Lacan

 

 


Posted by in Produção with the tags: , , ,
  1. Pingback: Música eletrônica de onde vem a inspiração? | Blog Joao Paulo (aka Fricks)

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>